E agora, Facebook? Créditos Pixabay.

E agora, Facebook?

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Definitivamente, o assunto da semana foi o escândalo envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytica. Mas como isso vai impactar as nossas vidas e negócios digitais daqui para frente?

Entenda o caso do Facebook e a Cambridge Analytica

No sábado, dia 17, os jornais Guardian e New York Times revelaram que a Cambridge Analytica obteve dados de mais de 50 milhões de pessoas sem o consentimento delas através do Facebook, e os usou para campanhas de manipulação política nos Estados Unidos e Reino Unido.

A Cambridge Analytica conseguiu obter esses dados através de um aplicativo de testes na rede social. Esses aplicativos são muito comuns e de grande potencial de viralização. Ao preencher o teste, o usuário concedia acesso aos seus dados e de seus amigos. Dessa forma, ele compartilhava “legalmente” essas informações pois quem fazia o teste aceitava os termos de uso do aplicativo.

A denúncia gerou grande repercussão no mundo político, e Mark Zuckerberg será chamado para prestar depoimento no Reino Unido e nos Estados Unidos. Isso colocou em xeque a capacidade do Facebook de realmente proteger os dados de seus usuários, inclusive porque o Facebook recebeu denúncias sobre a Cambridge Analytica em 2014, e as atitudes tomadas na época não foram suficientes para evitar o pior.

Quando recebeu essas denúncias em 2014, o Facebook não baniu a Cambrigde Analytica da plataforma, porém restringiu um pouco mais o acesso a dados através de aplicativos.

Desde segunda-feira, o Facebook já perdeu mais de US$ 30 bilhões em valor de mercado.

Crise gera mudanças

A nossa opinião é de que o Facebook é uma plataforma que cresceu numa velocidade muito grande, como diversas empresas digitais. Crescer é bom, crescer rápido é melhor ainda. Porém isso dá margem para que detalhes importantes sejam deixados de lado, principalmente diante do fato de que a publicidade realmente gera rendas milionárias para o Facebook. Talvez as escolhas erradas tenham sido feitas.

Esse escândalo influencia de forma negativa a imagem da plataforma. Mas ainda acreditamos no potencial de integrar e conectar mais as pessoas, de inclusão digital e de possibilitar o crescimento de pequenos negócios que ela tem.

Toda crise é uma oportunidade para mudança, e a situação é grave, pois denuncia a manipulação de informações que impactou no destino de diversos países. Mas se o Facebook quiser continuar relevante, agora existe a oportunidade de mostrar ao mundo para o que veio e de corrigir esses problemas para uma internet mais segura e justa.

O alerta fica também para as demais empresas do setor: é importante reverem as suas políticas, antes que caiam no mesmo tipo de situação. Será que isso não acontece em outras plataformas também?

Outro ponto importante: os termos de uso e políticas de privacidade são sempre enormes e confusos, não existe uma forma de tornar isso mais simples para que as pessoas tenham mais consciência do que estão assinando? E como as empresas podem disseminar uma cultura de atenção a isso e a veracidade das informações?

O que vai acontecer agora?

Ainda não se sabe qual vai ser o impacto desses acontecimentos na plataforma por parte dos usuários e anunciantes. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, fez uma declaração ontem após quatro dias de silêncio aonde apresentou três iniciativas imediatas para melhorar a segurança da plataforma.

  1. Investigar os aplicativos que tiveram acesso a informações pessoais antes de 2014, avaliar atividades suspeitas e banir os desenvolvedores do Facebook se necessário.
  2. Tornar o acesso a dados por parte dos desenvolvedores mais rigoroso, removendo acesso a informações dos aplicativos que os usuários inativaram.
  3. Deixar mais explícita na plataforma a informação de aonde o usuário pode autorizar e desautorizar aplicativos.

O Facebook também se comprometeu a incentivar os usuários a identificar e denunciar aplicativos suspeitos.

A investigações serão aprofundadas nas próximas semanas, e isso vai direcionar os próximos acontecimentos. Por conta disso o impacto para usuários e anunciantes não deve ser imediato, mas não sabemos se as pessoas reduzirão o uso da plataforma.

O que podemos aprender com isso?

Para as empresas, fica o alerta: é importante estar presente em diversos canais e ter uma plataforma própria. Facebook, Instagram e outras redes e mídias sociais são plataformas “alugadas” – a audiência é delas, e elas te “emprestam”. Se um escândalo desse derruba o Facebook, diversas pequenas empresas que se baseiam só nele vão embora junto.

Esse alerta já surgiu antes com as mudanças que tivemos com a redução do alcance orgânico de conteúdo. Nas plataformas próprias, você não depende de algoritmo para ter o conteúdo entregue.

E como as empresas podem ter plataformas próprias? Sites, blogs, portais e newsletter são excelentes exemplos disso. A audiência estará diretamente nelas porque você é relevante para elas, e não através de um intermediador. Isso te dá segurança para continuar se conectando ao seu público independente do que aconteça.

Para os usuários: é importante ter cuidado com os aplicativos que aceita, e cada vez mais critérios sobre a qualidade das informações que consome. Quase ninguém lê os termos de uso de sites e aplicativos aonde se cadastra, e querendo ou não nesse caso da Cambridge Analytica, os usuários aceitaram os termos para compartilhar os dados.

E você, qual a sua opinião sobre tudo isso? Deixe nos comentários abaixo ou então nos mande uma mensagem!

As informações foram pesquisas nos sites: Meio & Mensagem, BBC Brasil e Facebook.